Beata Albertina Berkenbrock

Menina simples e de vida exemplar, enfrentou a morte para defender sua pureza! Com apenas 12 anos tornou-se exemplo de cristã para todos nós!É a nossa primeira mártir da castidade...


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- Ven. Maria do Carmo da Santíssima Trindade

Venerável Me. Maria do Carmo da Santíssima Trindade

 (25/nov/1898 - 13/jul/1966)

 

 

Carmen Catarina Bueno nasceu em Itu, a 25 de novembro de 1898. Era a primogênita dos 6 filhos do casal Teotônio Bueno e Maria do Carmo Bauer Bueno. Sua mãe tinha apenas 15 anos ao dar a luz, e estando com a saúde abalada, sua avó paterna, conhecida por ‘Nhá Cota’, pediu e obteve a graça de cuidar, em Campinas, do bebê recém-nascido, como já fizera com seu filho adotivo, Teotônio.

De seu pai Teotônio herdou a alma de artista e da mãe Maria do Carmo o caráter decidido, temperamento ardoroso. Carminha era muito amada por seus pais adotivos, e sempre em contato com seus pais e irmãos.

Aos 3 anos desaparece a menina e a encontram de joelhos no altar do Sagrado Coração de Jesus: “Estou na mixa do Colação de Jesus”! Fato que se repetiria várias outras vezes. Meses após a morte do pai Teotônio, faz a sua primeira comunhão, em 21 de junho de 1910, “que em céu a transformou”. Teve um intenso desejo de ir para o céu, e nunca mais se separou de seu Deus. Sua mãe contraiu segundas núpcias com um conceituado industrial do Rio de Janeiro. Carminha sai do colégio e vai morar com a avó na fazenda, mas mesmo assim desenvolve-se moral e intelectualmente, estudando com afinco. Tocava piano maravilhosamente. Piedosa, modesta, contudo impressiona, aliando à elegância um recato todo particular.

Aos 15 anos vai visitar a mãe no Rio de Janeiro, que dias depois falece, em conseqüência do parto de um irmãozinho natimorto. O padrasto se vê só e com 6 enteados. Solicita a presença da avó, Nhá Cota, que então já era viúva, e passa a governar a casa. Carminha começa, assim, a residir no Rio, e a fazer às vezes de mãe de seus irmãos. Conhece um estudante de engenharia e aspiram juntos ao matrimônio, traçam planos. De família abastada, ele lhe pede que ela vá estudar no Colégio Sion, onde estudaram suas irmãs. Por causa de desentendimentos com o padrasto, Nhá Cota e Carminha voltam para Campinas, e nessa oportunidade ela vai para o Sion.

É feliz a sua estadia junto às boas mestras e grande os seus progressos na piedade. Sente o chamado à vida religiosa e diz sim. Rompe então o noivado, mas continuará a rezar pelo moço até o fim da vida. Sua vida espiritual se torna cada vez mais profunda. Lê a “História de uma alma”, autobiografia da futura Santa Teresinha, e decide tornar-se carmelita.

Ingressa no Carmelo São José do Rio de Janeiro[1] a 21 de abril de 1925, e recebe o nome de sua mãe, Ir. Maria do Carmo da Santíssima Trindade. Sua felicidade a faz domar seu temperamento ardoroso. Um de seus diretores espirituais a chamava de “vulcão incendiário”, por seu temperamento forte desde a infância. O dia-a-dia do mosteiro serve para Carminha colocar os alicerces de sua santificação na humildade, mas desejando “ser perfeita como o Pai do céu”. Para chegar a atingir sua meta, faz o voto de mansidão, a conselho de Dom Francisco de Campos Barreto, um de seus diretores espirituais. Maria é a estrela que guia seus passos, a Ela entrega a direção dos seus atos. Exerceu o ofício de Mestra de noviças, Sub-priora e finalmente Priora. Foi a primeira a suceder a Fundadora deste mosteiro, Me. Benedita, nessa função de grande responsabilidade.

Em 1949 voltou a ser Mestra de noviças. Sempre fora doente e cardíaca. Seu coração cresce muito, e o reumatismo a deixa entrevada. Ela  reagia e melhorava, mas o coração aumentava. Em 1952 volta a ser Priora, e celebrando a missa de suas bodas de prata de profissão religiosa estava o amigo de infância em Campinas, Dom Francisco Borja do Amaral, agora bispo de Taubaté. Concretiza-se um sonho: a fundação do Carmelo da Sagrada Face e Pio XII.

Em setembro de 1955 partem as 6 irmãs destinadas à nova fundação, apoiada sobretudo em Me. Maria do Carmo e Ir. Antonieta Maria do Espírito Santo. A fundação deveria ser em Taubaté, mas as irmãs foram para uma residência provisória em Tremembé, cidade que as acolhe com alegria e generosidade, providenciando a construção do Carmelo. Em 1957 as irmãs se transladam para o convento definitivo. Me. Carminha trabalhava, sofria, rezava. Não lhe foram poupadas provações, mas a tudo suportava. Ela alarga seu coração de mãe por toda a cidade adotiva, e sobretudo pela diocese de Taubaté, por quem rezam de forma especial. A capela foi inaugurada a 2 de julho de 1960, e em setembro de 1961 o governo da casa passa a Me. Antonieta, enquanto Carminha dedica-se ao noviciado e a dirigir a construção em curso. A saúde continua débil. Chegou a extrair a vesícula, pairando entre a vida e a morte. Um dia uma grande emoção: apresenta-se para entrar no mosteiro sua mana Ester, que enviuvara, e por cuja vocação Carminha rezava. Ela e o finado marido sempre foram benfeitores do Carmelo.

Em julho de 1965 Carminha ouve o primeiro chamado de Deus numa crise de angina pectoris. No dia 7 de julho de 1966 sente-se mal, acodem o médico e o capelão[2]. Após receber os sacramentos lhe sobrevem um derrame cerebral que a deixa em coma profundo, falecendo no dia 13 seguinte.

Anos depois, o Carmelo entra em grandes dificuldades de manutenção, e decide-se pela sua transferência de Tremembé para Mainrique. É feita a exumação de Carminha, e seu corpo foi encontrado incorrupto[3]. A notícia se espalha, e a cidade acorda: não permitem que o Carmelo se vá da cidade, e apenas metade da comunidade parte para a nova fundação. A poetiza de Deus Carminha continua em Tremembé.

Dies natalis: 13 de julho

Restos mortais: no Carmelo de Tremembé

Causa de canonização: Decreto da Virtudes Heróicas em 23.1.2020.

Bibliografia sobre Me. Carminha:

Afonso de SANTA CRUZ. A Carminha de Tremembé. Curitiba: Ed. Rosário, 3a. ed., 1996, 100 p.

Irmãs Carmelitas de Tremembé. Carminha de Tremembé – em fotos e poesias. Tremembé: Carmelo da Santa Face e Pio XII,  95 p.

Ir. Thereza Maria de São João da Cruz, ocd. O Carmelo canta – Jubileu áureo de Vocação religiosa da Fundadora do Carmelo da santa face e Pio XII. Tremembé: 1967, 111 p. (biografia de Me. Carminha)

Ir. Maria Teresa de Nossa Senhora Aparecida, ocd. O Carmelo canta – Jubileu áureo de Fundação – Vol. 2. Tremembé: 2005, 103 p.

Para comunicar graças alcançadas por Me. Carminha e maiores informações:

Carmelo da Santa Face e Pio XII

Rua Pio XII, 48  -  Centro

Cx Postal 03

12120-000  Tremembé  SP

Tel.: (12) 3672-4180

site: http://www.carmelosantaface.com.br/



[1] O primeiro Carmelo da cidade do Rio de Janeiro é o Convento de Santa Teresa, fundado por Me. Jacinta de São José, em 1750, e onde viveu a SD. Me. Maria José de Jesus . Deste Carmelo saiu a fundação para o Carmelo de São José, no bairro de Jacarepaguá.

[2] O capelão Cônego Eurico Galicho foi coadjuvado pelo então Padre Benedito Beni dos Santos, que o sucedeu, tornando-se capelão por mais de 30 anos. Foi depois nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, e atualmente Dom Beni é bispo de Lorena, diocese do Vale do Paraíba assim como Taubaté.

[3] “Dia 13 de julho de 1972 foi o sexto aniversário de morte da Fundadora Madre Maria do Carmo e, no dia seguinte, tudo estava preparado para a exumação (...). Todos os presentes estavam emocionados, mas a emoção aumentou quando se notou o caixão intacto e nenhum mau odor nem umidade alguma. (...). Cena comovente, inesquecível...o corpo de Madre Maria do Carmo estava intacto, o santo hábito perfeito e resistente...Algumas irmãs tocaram o cadáver...Madre Antonieta ficou profundamente abalada com o ocorrido. (...) O caixão foi reposto no orifício, deixando apenas uma abertura vedada com tela para ver se com o ambiente mais ventilado o corpo se desfazia. Porém, isto não aconteceu. Talvez seja vontade do Bom Deus glorificar Sua serva tão humilde e tão humilhada nesta terra. (...) Em 01 de outubro – três meses após a primeira exumação, o corpo de Me. Maria do Carmo foi novamente retirado do túmulo para exames científicos. Frei Ludovico desejou que os médicos fossem ateus para que a verdade da ciência fosse sem mescla de sentimentalismo e que a vontade de Deus fosse mais claramente manifesta. Após os exames, as opiniões dos médicos foram concordes: mumificação – fenômeno raro mas explicável pela ciência. Porém, uma coisa lhes causou admiração: a firmeza com que os cabelos continuavam presos à pele, ao passo que nas múmias se soltam por completo, o mesmo aconteceu com as unhas. Frei Ludovico, querendo ressaltar a mão de Deus no caso, comentou só para as irmãs: “Põe outra que morra, no mesmo lugar, e vejamos se também se mumifica”. O corpo recebeu duas incisões para verificação: constatou-se que as vísceras estavam ressequidas e quase irreconhecíveis, mas sem a presença de vermes, o que seria normal. A pele estava firme, os membros superiores e os pés podiam ser movimentados. Terminados os exames, deram-lhe um banho de formol, o que causou o escurecimento e maior ressecamento da pele (curioso é que em vida, era chamada pela comunidade de “Aparecidinha” devido sua cor amorenada. Agora, sua cor está tal qual de Nossa Senhora Aparecida).” Carmelo da Santa Face e Pio XII. O Carmelo Canta – Vol.2. p. 24-26. O corpo foi examinado por uma equipe de médicos da Universidade de São Paulo (USP), chefiados pelo Dr. Mário Degne, cujo laudo médico encontra-se no arquivo do mosteiro .

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